Esse ano estive tão imersa num mundo nada legal que nem vi a primavera chegar, logo eu que conto todos os equinócios com bastante alegria. Costumava a criar umas lindas plantinhas na janela do meu quarto, eram lindas, quando grandes caíam para fora da janela e brotavam pequenas flores vermelhas, era uma felicidade vê-las. Deixei-as morrer. Deixei-as morrer como deixei morrer bastante coisa dentro de mim durante um tempo que agora chamarei de era do desgosto. Havia desgosto em tudo. Desgosto de aula, desgosto de ballet, desgosto de filme, desgosto de café da manhã, desgosto de se cuidar, desgosto de sorvete. Desgosto de vida. Até agora eu não entendo como saí da era do desgosto, mas posso agradecer a B., que mesmo caindo não me deixava cair, posso também ser grata a meus pais e minhas amigas-irmãs. A era do desgosto passou, ao menos pra mim. Arranquei as mudas mortas de meus vasos, plantei pequenas onze horas, adotei uma orquídea, coloquei novas mudas da planta que antes existia. Lindas flores se abriram, e mesmo assim eu não percebi que a primavera havia chegado. Hoje a ficha caiu, o calor típico de Recife voltou a me derreter durante o trajeto até a faculdade. Ainda é primavera, ainda é tempo de florescer.

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