Vinte e oito
O livro amarelo estava lá no topo da pilha de livros sobre o corpo humano e natureza, e desde que havia chegado naquele quarto eu sentia enorme vontade de pegá-lo. Gosto de ler em voz alta, apesar de nunca ler em voz alta, mas sinto uma estranha necessidade de compartilhar tudo que é de meu agrado com aquele cara. Ah, aquele cara, que volta e meia decidia ir embora para depois de seis horas voltar dizendo que não consegue sem e que tudo nele agora se resume a mim. E ele adora brincar com minhas pernas, como fazia enquanto eu tentava decifrar mais um pouco em voz alta o que aqueles olhos negros queriam de mim. “Leo é um signo masculino, dominador, que gosta de ter o controle de tudo…” E juro que se conseguisse lembrar cada palavra que li pra ele ali eu escreveria, mas acontece que aquele cara, o leão, fazia questão de brincar com minhas pernas desprotegidas, subindo e descendo a mão por minhas coxas para logo depois se aventurar no meio delas. E naquele momento minha voz parecia sumir, dando apenas lugar a gemidos baixos que eu implorava para não saírem. Ainda havia muito pra ler, ele parecia até não gostar de me ver nua em sua cama com um livro aberto.
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